03 fevereiro, 2011

Olhar



http://somethingformypleasure.blogspot.com ( Tela de José Ferreira- Portugal )



"A representação das coisas que amamos chega inesperadamente com o reflexo da luz num copo, com o toque de um casaco de lã, com o cheiro de um churro quente acabado de fritar..."



Manuela Baptista - Olhar

Histórias com mar ao fundo

23 janeiro, 2011




Hoje eu acordei com 43 anos...
Uma ruguinha aqui, outra ali...Cabelos prateando por baixo da "maquiagem" loira,quilinhos a mais (mas só por causa das férias, calma!)
Filhos crescidos...
Casa arrumada...
Não me sinto diferente, hoje... Tenho a mesma vontade de ser feliz, de abraçar os amigos, de continuar minha jornada...

E de brindar à VIDA.

...
O Que É, O Que É?



"Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita..."

...


Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida...

...


Composição: Gonzaguinha

18 janeiro, 2011




...



"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."

Rubem Alves

Imagem net

10 janeiro, 2011


..." Porque não basta interditar o mal e prescrever o bem,é preciso que o princípio do Bem e o horror ao Mal estejam no coração do homem"


Imagem: net

29 dezembro, 2010

10 dezembro, 2010

Natal


NATAL
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre

22 novembro, 2010

Ah! O mar !




Redondo é o mar

Redondo é o mar
carregado de jangada
plúmbeo a leva a navegar
vai altiva e assoberbada

O que carrega é enxada
revolve a terra a sangrar
embora pareça ser nada
condenada a soçobrar

Para onde ela vai sem parar
te direi com minha espada
pulso a pulso calibrada

Naquilo que escrevo topada
do que entendo por lutar
tirando da terra para dar

(Jaime Latino Ferreira)


E com essa enxada revolvo
Tudo o que a terra me oferece
Quando nem tudo é o que parece
O abraço doce onde me envolvo

Sei que flutuar o mar me deixa
por fim
Mesmo que da jangada me perca
Abraçarei a onda que me cerca
Ao encontro do lugar mais fundo
de mim

(Maria João)

porque redondo é o mar
navego sempre...
vou e volto
ao encontro do mundo
na procura incerta de um "porto" de aconchego
que encontro muitas vezes
num barco ancorado
à beira do mar

onde sempre navego
vou e volto...

(Dulce AC)


na minha jangada alada
navega apenas
a estrada

de santiago protege
os marinheiros as baleias

e as luzes altaneias
que acendo todas as noites
no último degrau da escada

como não fosse nada

.

dos sonetos e dos barcos
topamos com o que se cria, porque redondo é o mar!

(Manuela Baptista)