21 novembro, 2011

Sou de Pernambuco, sou de Itapetim





Sou de Pernambuco, sou de Itapetim
Sou da terra "onde o mar se arrebenta"
Num vai e vem sem fim.

Sou da terra onde os poetas
Cantam de amores à Açores
Numa construção sem igual
Pois quem nasce aqui ou na capital
Traz do berço um arsenal
De poemas e rimas
Etc,coisa e tal.

Sou de Pernambuco das Batalhas,
Insurreição,Revolução
Confederação e Presidência
Sou de Pernambuco das Artes
Com Vicente do Rego Monteiro e Cícero Dias
Também o meu Pernambuco
Preserva a cultura popular
Com Frevo, Maracatu e Baião
Tem rojão no São João
Mangue Beat,Rock,Pop, Rap e Funk
Pra toda gente agradar
Afinal quem foi que disse
Que não podemos inovar?

Sou de Pernambuco, sou forte
E levo o meu archote
para onde precisar...


Linda Simões


A propósito de uma postagem da conterrânea Lusa Vilar, do Blog Raízes.


Igreja de São Pedro, em Itapetim.

04 novembro, 2011

O valor de nossa opinião







"Uma colecção de baionetas ou de guilhotinas é tão incapaz de deter uma opinião como uma colecção de moedas de ouro é incapaz de deter a gota." -



Stendhal


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21 outubro, 2011

À sombra do cajueiro




O calção estava roto,mas limpo.Nos pés,um par de tênis grandes demais para os pezinhos de criança.Sem camisa,levava nas costas uma espada de He-Man,(aquela dos desenhos).Parecia um cavaleiro,não fosse os gritos da mãe para tirá-lo da fantasia.Anda,menino,deixa de preguiça!E ele pegava com suas mãozinhas frágeis de talvez cinco anos de idade,um pequeno balde, a vara de tirar cajus e um molho de capim cidreira para o chá.Sua cabeça estava suada e as mãozinhas acariciavam-na como a perguntar se o dia não tinha fim.Sua mãe,dois baldes grandes cheios de caju e outros trecos.O pequenino não aguentava mais andar e a cada cajueiro, sentava um bocadinho à sua sombra.A ilha é bem grande, tem muitos cajueiros, alimenta muita gente.Principalmente a ganância dos produtores que compram por centavos cada gota de suor daqueles pequeninos que acompanham suas mães na luta desigual por um lugar ao sol.Penso que a pasta de caju, a castanha assada ou o doce em calda vendido seja às margens da estrada ou nos supermercados não terão o mesmo sabor para mim,depois de presenciar cena tão triste.
... E ele gesticulava e contava algo à mãe, com mãozinhas pequenas que apanhava os cajus e colocava no balde pequeno.Sua mãe nem percebia que alguém estava ali,preocupada em apanhar, juntar, escolher os melhores,os mais carnudos.Olhava para o alto,pro topo da árvore,procurando no meio da folhagem verdinha,os cajus amarelinhos...
E os dois seguiram adiante,debaixo do sol do meio dia.Sem almoço,sem sonhos,sem perspectivas.Até a próxima sombra do cajueiro...

Linda Simões

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25 setembro, 2011

A culpa do outro















Olhar perdido sem brilho
Mãos que catam no lixo
direitos e alforria
Sem nenhuma valentia...

Na luta desigual sem amparo
No amparo da lei em fatias
Muitos ficam com as migalhas
De uma guerra insana,vazia...

E os doutos em seus altares
Nada sabem,tudo maquiam
Brilham no ouro e na prata
Numa estranha euforia...

E a miséria se alastra
Tanto aqui como acolá
E a carapuça não serve
Ao nobre e ao doutor
Que alardeiam piedade
Aos pobres com fervor...

Sonhos que são podados
Moradas que não existem
Fome e desolação
Numa cena sempre triste...


Até quando seremos
indiferentes
subservientes
descontentes... ?


Linda Simões


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18 setembro, 2011

Assim, sou eu…


Assim, sou eu…

Nau, vela triangular
História viva,
Arrojada e atrevida
Gaivota no ar.
Cais, abrigo
Refúgio, tempestade,
Maré cheia,
Maré vaza,
Chama em brasa.
Sou Fábula, e luz
Loba prenha de dor,
Mulher amante,
Equídeo errante
Pejada de amor.
Sou alma volátil,
Corpo alado,
Árvore viva
Na berma da estrada.
Urze do monte,
Giesta em flor.
Água da fonte,
Friso liso e fino
Tocando a linha do horizonte.
Sou guerreira, sou pastor,
Esquina de rua nua
Calçada roubada, desengonçada
Porta aberta na noite fechada.
Sou sol, sou fogo,
Sou grito, sou ai
Gargalhada desamarrada
Folha caída atapetando o chão.
Digo sim e digo não
E não digo outra coisa qualquer,
Porque eu
Sou mesmo assim!

Inédito de MJAreal

Copiado do blog da Fernanda- http://nacasadorau.wordpress.com/

10 setembro, 2011

O Rosto da Fome




O ROSTO DA FOME

Que vergonha,
O rosto da fome
Tem olhos de criança,
Pele macia e mãos pequeninas,
E traja o presente
Com a cor da esperança
Que os seus olhos vestem dia-após-dia.
Esquecido e calado, vagueia à deriva,
Pela sorte enferma que lhe chora a vida.
Nas mãos, um punhado de restos
Tão mudo e tão mouco…
E o que sobra e que fica
É uma sombra oriunda
Da cegueira de todos!

Que vergonha,
O rosto da fome
Tem olhos de criança!

13/08/2011
Ana Martins

A Poesia no Encontro do Tempo- Concurso de Poesia no Centro Cultural de Campos- Portugal.


Ana Martins,primeiro lugar no concurso de poesias, escreveu o livro Ave sem Asas, em 2010.Ribatejana,natural de Santarém e Fafense por adoção. "Passou a infância entre África e Portugal, o que lhe permitiu o contato e uma perspectiva de diferentes culturas,enriquecendo assim o sentido humanístico,característico na sua personalidade. "

19 agosto, 2011

Loucos e santos




Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde